
Nasceríamos velhos, enrugados e doentes, teríamos que, ainda na infância, superar a morte que seria uma iminência constante. Não teríamos a disposição de um corpo jovem e novo, mas sim as limitações que chegam com o tempo, conforme a ordem cronológica de hoje. Mas a medida que o tempo fosse passando, nos tornaríamos mais sadios e cheios de disposição para a vida, assim como mais sábios e amadurecidos.
Quantas vezes você já ouviu um avô dizer que a vida seria bem melhor se tivesse, enquanto jovem, a sabedoria que só a maturidade traz?
É isso o que me faz questionar a ordem da vida. Que sentido faz sermos sábios e cheios de experiências quando o corpo já não pode mais realizar muita coisa? Será que basta somente ensinar? Passar aos mais jovens o que se aprendeu durante toda uma vida de dores, alegrias e desafios?
Com 31 anos de idade, só penso que queria, hoje mesmo, ser sábia como minha avó. Ansiedade? Pode ser, mas também uma certa angústia de saber que no futuro, quando tiver 77 anos, não me contentarei em não poder viver com toda a plenitude essa sabedoria tão especial que uma vida toda traz.
Suspeito que a depressão, doença tão comum na terceira idade, tenha muito a ver com isso. Eles chegam lá e percebem o quanto tudo poderia ter sido diferente. A impossibilidade de voltar no tempo e corrigir os erros cometidos é algo que assusta!
O sentido para as coisas serem como são, talvez passe pela questão do aprendizado. É a única explicação que me convence. Somos, ainda, seres pequenos e com pouca Luz, necessitamos sentir essa dor, de não conseguir corrigir certos erros para que consigamos crescer um bocadinho.
O que podemos fazer para remediar a questão? Ouvir os mais velhos, aprender com a experiência deles e tentar não deixar tanto por fazer, pois só assim teremos uma velhice com menos arrependimentos na conta da vida!