
“Só Chegamos a Ser uma Mínima Parte do que Poderíamos Ser

A atividade de comprar conclui em decidir-se por um objeto; Mas é também antes uma eleição, e a eleição começa por perceber as possibilidades que oferece o mercado. De onde resulta que a vida no seu modo “comprar”, consiste primeiramente em viver as possibilidades de compra como tais. Quando se fala da nossa vida sói esquecer-se disto, que me parece essencialíssimo: a nossa vida é em todo o instante e antes que nada consciência do que nos é possível. Se em cada momento não tivéssemos à nossa frente mais que uma só possibilidade, careceria de sentido chamá-la assim. Seria apenas pura necessidade. Mas aí está: esse estranhíssimo fato da nossa vida possui a condição radical de que sempre encontra ante si várias saídas, que por serem várias adquirem o caráter de possibilidades entre as quais havemos de decidir. Tanto vale dizer que vivemos como que nos encontramos num ambiente de determinadas possibilidades. A este âmbito costuma chamar-se “as circunstâncias”.
Toda a vida é achar-se dentro da “circunstância” ou mundo. Porque esse é o sentido originário da idéia (mundo). Mundo é o repertório das nossas possibilidades vitais. Não é, pois, algo à parte e alheio à nossa vida, mas que é a sua autêntica periferia. Representa o que podemos ser; portanto a nossa potencialidade vital. Essa tem de se concretizar para se realizar, ou, dito de outra maneira, chegamos a ser só uma mínima parte do que poderíamos ser. Daí que nos parece o mundo uma coisa tão enorme, e nós, dentro dele, uma coisa tão pequena. O mundo ou a nossa vida possível é sempre mais do que o nosso destino ou vida efetiva.” José Ortega Y Gasset
Débora
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